Aprender com o passado, progredir no presente e preparar o futuro

O SUCH - Serviço de Utilização Comum dos Hospitais é uma associação sem fins lucrativos. Desde a sua génese em 1965, sempre tivemos como missão a prestação de serviços comuns aos hospitais, contribuindo para o aumento da eficácia e eficiência do sistema de saúde e para a sustentabilidade do SNS. O SUCH, pela sua ação, permite que os seus associados se dediquem à sua função principal: a prestação de cuidados de saúde.

Com mais de 50 anos de experiência nas mais diversas áreas da saúde, chegou a vez do SUCH se dedicar ao “pulmão” das unidades prestadoras de cuidados de saúde – o Serviço de Esterilização.

A nova prestação de serviços do SUCH dedica-se ao reprocessamento de dispositivos médicos (DM) reutilizáveis, seguros e adequados à utilização prevista, contribuindo para a prevenção das infeções associadas aos cuidados de saúde, sobretudo na prevenção da infeção do local cirúrgico.

Projetamos e exploramos unidades centralizadas, que se dedicam ao reprocessamento de dispositivos médicos reutilizáveis. Recolhemos os dispositivos depois de utilizados (contaminados) nas instalações dos nossos associados/clientes e realizamos, numa unidade centralizada, todas as etapas necessárias, à sua reutilização. As etapas deste processo são: recolha, transporte, receção, lavagem e descontaminação, inspeção, montagem, lubrificação, embalagem, esterilização, arrefecimento, expedição, transporte e entrega. Em 2018 iniciámos a nossa prestação de serviços com o arranque da nossa nova instalação em Lisboa, o SECH – Serviço de Esterilização Comum dos Hospitais.

Consegue imaginar um hospital sem dispositivos médicos descontaminados ou esterilizados?

Consegue imaginar um hospital sem o apoio do serviço de esterilização?

É bom sinal quando não conseguimos imaginar tal cenário, no entanto, em Portugal ainda temos muito para evoluir. A realidade portuguesa é muito distinta da europeia, mas estamos a caminhar no bom sentido.

Quando no SUCH nos começámos a dedicar a esta área, bastou conhecer e estudar o que faziam os nossos vizinhos franceses, alemães, italianos, suecos e espanhóis nesta matéria, e adaptar à nossa realidade. Não inventámos nada de novo, só reproduzimos aqui o que já se faz há décadas nos outros países!

A tarefa mais difícil não foi o projeto, nem a obra, nem a instalação ou o arranque dos equipamentos, a tarefa mais difícil, foi e continua a ser, convencer os utilizadores que temos sobre a necessidade de nos adaptar às novas tecnologias existentes, a novos procedimentos e o mais importante de tudo à centralização desta atividade! Seria também mais fácil se todos reconhecessem que há carências profundas a nível nacional nesta área. Sabemos que o parque dos instrumentos cirúrgicos dos hospitais é curto, muito envelhecido e obsoleto, mas é fundamental admitir que não é seguro continuarmos com o cenário que temos na maioria das unidades prestadoras de cuidados de saúde. Face a esta “desgastada” realidade, o SUCH lançou-se com a nova prestação de serviços, para apoiar e colaborar com o Serviço Nacional de Saúde, de modo a cumprir o que já está regulamentado há anos.

Comecemos por esclarecer a designação correta desta atividade. Quando falamos em esterilização, referimo-nos apenas a uma das etapas de todo o processo, como tal, é ingrato designar apenas de “esterilização” uma área tão complexa e rigorosa como esta. No novo Regulamento do Parlamento Europeu e do Conselho relativo aos dispositivos médicos de 5 de abril de 2017, a atividade do reprocessamento é definida como “o processo executado sobre um dispositivo usado a fim de permitir a sua reutilização em condições de segurança, incluindo a limpeza, desinfeção, esterilização e procedimentos relacionados (…).

O reprocessamento de dispositivos médicos de uso múltiplo (reutilizáveis), abrange todas as atividades inerentes ao ciclo da reutilização dos DM:

A centralização desta atividade, já deveria estar implementada, em todas as unidades de prestação de cuidados de saúde portuguesas desde 2002, data da publicação do “Manual de Normas e Procedimentos para um serviço central de esterilização” emanado pela Direção Geral da Saúde.

A verdade é que ainda hoje em dia existem hospitais que contrariam esta boa prática, onde os instrumentos cirúrgicos contaminados, provenientes de cirurgias e de outros procedimentos clínicos, são lavados nos diversos serviços, em máquinas obsoletas de porta única, embalados no mesmo espaço físico e encaminhados posteriormente para um “serviço de esterilização” que dispõe apenas de esterilizadores que não estão qualificados, muitas vezes de porta única também. Deste modo, não é de todo, cumprida a segregação total de área suja/área limpa/área de esterilizados e não são cumpridos também os parâmetros de controlo ambiental que estes espaços exigem (pressões, renovações de ar, qualidade da água nos diferentes processos, entre outros).

A centralização das diversas etapas desta atividade numa única instalação tem como grande vantagem o cumprimento de procedimentos uniformizados de acordo com as boas práticas, através de recursos humanos treinados, especializados e geridos por uma equipa uni direcionada.

Um assistente operacional que está afeto a um determinado serviço num hospital, não deveria nunca ter como funções realizar cuidados de higiene aos doentes e no minuto seguinte descontaminar, embalar ou esterilizar instrumentos cirúrgicos.

No SECH, contamos ainda com a preciosa ajuda do sistema de rastreabilidade digital, instalado em toda a unidade e que se expande à nossa logística também. A qualquer hora conseguimos saber quem fez o quê, a que horas, onde está, por onde passou o DM, como foi descontaminado, que detergente foi utilizado, a que programas foi submetido, e outros aspetos imprescindíveis.

A existência deste sistema cumpre não só com o que está normalizado e regulamentado, mas também é fundamental para atingir o controlo de todo o processo.

Qualificamos os nossos equipamentos anualmente, ministramos formação continua aos nossos recursos humanos e trabalhámos durante dois anos na implementação da ISO 13485. Desde os procedimentos aos registos, passando pela realização de auditorias, aguardamos presentemente pela concessão da certificação pela ISO 13485. O cumprimento das normas e do quadro legal aplicável nesta área é muito oneroso, mas dão-nos a garantia e a confiança que os processos são seguros.

Esta é uma prestação de serviços que exige formação muito específica e acima de tudo o cumprimento rigoroso dos procedimentos aplicados à complexidade de cada instrumento cirúrgico/dispositivo médico. Se não forem cumpridas as instruções do fabricante do dispositivo médico, corremos o risco de danificar instrumentos que chegam a custar dezenas de milhares de euros e que com certeza demorarão demasiado tempo a serem repostos devido ao seu elevado custo. Este aspeto poderá ainda trazer repercussões na realização de determinados procedimentos cirúrgicos que recorrem a dispositivos muito específicos e por vezes únicos.

Todos nós, certamente, já ouvimos falar do serviço de esterilização e sabemos que para a realização de um procedimento invasivo é necessário que todos os dispositivos médicos estejam esterilizados. Contudo, será que os utilizadores finais (médicos, enfermeiros e terceiros) conhecem os procedimentos e etapas rigorosas obrigatoriamente a cumprir neste serviço? Garanto-lhe que a maioria é desconhecedora deste processo. Recebemos muitas visitas no SECH e conseguimos aperceber-nos desta lacuna. Apercebemos-mos também que muitos desconhecem o quadro legal aplicável à prática desta atividade.

Já em 1869 Florence Nightingale dizia que “o mínimo que se pode esperar dos hospitais é que não façam mal ao doente”, e há mais de 150 anos que Ignaz Semmelweis demonstrou que se os médicos lavassem as mãos nos hospitais antes dos partos evitavam-se inúmeras mortes por febre puerperal. Uma ação tão simples e ainda hoje difundida a toda a hora, como prevenção da transmissão cruzada. Mas já nessa altura a tarefa mais difícil para estes dois impulsionadores da prevenção foi a de convencer os utilizadores finais, que era preciso mudar o paradigma, alterar procedimentos e adaptarem-se aos novos procedimentos. A resistência à mudança é algo que é inerente ao ser humano, mas a verdade é que hoje em dia a mudança é uma constante da vida, e se não nos adaptarmos às novas realidades vamos ficando para trás. A transmissão de confiança e segurança é a chave para a aceitação.

Lançamos o convite a todos os que nos queiram visitar e conhecer a nova realidade na área do reprocessamento de dispositivos médicos. Tem sido difícil mudar o rumo, mas acreditamos que estamos a contribuir para trilhar o caminho certo.

Sara Pena, diretora da área de Gestão e Reprocessamento de Dispositivos Médicos do SUCH

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