Os têxteis e a transmissão de infeções
Há hospitais que já baniram o uso das tradicionais batas dos médicos, dado que já se demonstrou que são um reservatório de bactérias, em especial nas mangas. Isto faz com que a desinfeção das mãos acabe por não ter a eficácia desejada.
No entanto, nem só nas batas reside o problema, já que existe uma multiplicidade de têxteis usados nos hospitais que podem ser veículos de transmissão de microrganismos. Anja Gerhadts, do Instituto Hohenstein, elaborou um estudo sobre a aplicabilidade de têxteis antimicrobianos como forma de fazer face a este problema. Os resultados foram partilhados com a Medica Magazine.
Estes têxteis estão irremediavelmente sujeitos a contaminação durante o uso. Existem têxteis funcionais com propriedades barreira, concebidos para áreas especialmente sensíveis, como os blocos operatórios. Outro tipo de funcionalização utilizado consiste em equipar os têxteis com agentes antimicrobianos concebidos para evitar que os patogéneos colonizem os têxteis. Ao matar os germes nas fibras especificamente concebidas para o efeito, a disseminação acaba por ser indiretamente minimizada. Apesar de a eficácia desta medida ser testada em laboratório, é preciso ter em conta que as condições são diferentes quando comparamos condições reais com condições de laboratório.
No seu estudo, Gerhardts e a sua equipa avaliaram diferentes têxteis disponíveis no mercado alemão em condições reais. Para que isto fosse possível, o teste laboratorial standard foi alterado em diversos parâmetros. Na prática, os patogéneos são geralmente transmitidos em substâncias orgânicas, como o sangue ou a saliva. Estas substâncias estabilizam as bactérias e tornam-nas mais resistentes aos danos ambientais. Os investigadores pretendiam perceber se os germes nosocomiais são eliminados nos têxteis num curto período, por exemplo 10 minutos. Foram examinados germes com cargas orgânicas e curtos períodos de vida para recriar condições realistas durante os testes de laboratório. Além disso, a equipa investigou as propriedades infecciosas dos têxteis antimicrobianos, em comparação com os têxteis não revestidos, na transferência de germes. Para fazer isto, os investigadores testaram quantas bactérias eram transmitidas para uma mão humana pelo têxtil contaminado e quantos germes são espalhados ao limpar-se um tecido.
Os investigadores perceberam que apenas um número reduzido de amostras demonstrou uma eficácia significativa em condições reais. Ainda assim, os cientistas consideram que a roupa antimicrobiana pode ser considerada uma medida adicional de higiene. No entanto, o seu uso não está disseminado.
A equipa alerta, ainda, que não pode, com os dados de que dispõe, fazer recomendações claras aos fabricantes, pois os tecidos testados tinham diferentes materiais na sua composição, além de os equipamentos e tecnologias de fabrico serem também distintos. No entanto, materiais com compostos químicos nas suas fibras e materiais revestidos demonstraram adequabilidade. No que toca aos têxteis antimicrobianos, é essencial que o agente ativo esteja presente na superfície da fibra para interagir rapidamente com as bactérias. Também é fundamental, naturalmente, que o tecido tenha grande durabilidade e resistência às lavagens. Os investigadores recomendam que os fabricantes otimizem os seus produtos tendo em mente a aplicação prática.
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