DGS recomenda sistema de rotulagem nutricional melhorado

A Direção-Geral da Saúde recomenda ao Governo Português que adote um sistema de rotulagem nutricional que ajude os cidadãos a fazer escolhas alimentares mais informadas e saudáveis. O sistema de rotulagem deve ser único e consensual para os cidadãos, peritos e stakeholders, mas também adaptável aos produtos comercializados em Portugal. A escolha de produtos saudáveis aumenta 3 a 5 vezes com a adoção destes sistemas de rotulagem, realça a DGS.

As conclusões fazem parte de um exercício HIA (Health Impact Assessment) desenvolvido pelo Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável (PNPAS), em conjunto com o Instituto de Saúde Ambiental da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (ISAMB-FMUL), e que utiliza a metodologia proposta pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

O objetivo do estudo passou por avaliar diferentes sistemas de rotulagem nutricional interpretativos (FOP-NL) quanto à sua capacidade de contribuírem para escolhas alimentares mais informadas e saudáveis, e contribuir com evidência científica que suporte a tomada de decisão política.

O sistema do semáforo nutricional já é parcialmente usado em Portugal, e foi esse que registou maior percentagem de participantes a selecionar a opção correta. Ainda assim, não se verificaram diferenças com significado estatístico entre os diferentes sistemas de rotulagem nutricional simplificada. 

Embora todos os sistemas avaliados contribuam para escolhas alimentares mais saudáveis, os autores do estudo recomendam que se teste a adequação dos modelos aos produtos alimentares portugueses.

A implementação deve ainda prever um programa de educação alimentar à população, bem como a avaliação da efetividade do sistema FOP-NL adotado nas decisões de compra e no padrão alimentar e de saúde da população, podendo ser realizado um novo exercício deste tipo para avaliar o impacto dessa estratégia de política alimentar após cinco anos da implementação.

A premência de um sistema melhorado justifica-se pela dificuldade que os consumidores demonstram em interpretar este tipo de informação. Um estudo realizado na população portuguesa, financiado pela DGS e com o apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS), apurou-se que 40 por cento dos inquiridos não compreendia a informação dos rótulos.

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