Colchões, almofadas e respetivas coberturas em unidades de saúde - uma problemática atual de prevenção da infeção

O presente artigo aborda a problemática dos colchões, almofadas e respetivas coberturas, e suas possíveis implicações na infeção/colonização de doentes em unidades de saúde (US). Estes itens fazem parte do ambiente envolvente do doente, integrando, assim, a área da qualidade da limpeza ambiental nas US e são, ainda, considerados dispositivos médicos. Neste âmbito, foi feita uma pesquisa bibliográfica atual sobre esta matéria, a qual está expressa no presente artigo. As camas nas US são compostas por diferentes componentes, que representam um risco potencial de infeção para o doente se não forem adequadamente descontaminadas.

Na literatura recente surge uma série de relatos de surtos ou outros estudos envolvendo Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA), Enterococcus resistentes à vancomicina, Acinetobacter spp. e outros agentes patogénicos. É dado mais ênfase, do ponto de vista microbiológico, às grades das camas do que aos potenciais reservatórios de infeção, como os colchões e almofadas, que estão em contacto direto com os doentes. A descontaminação adequada destes materiais minimiza o risco de infeção cruzada. Assim, devem ser emanadas diretrizes claras sobre esta componente do ambiente nas US, especificando o procedimento de descontaminação para cada componente da cama. Nos surtos, a investigação deve incluir uma avaliação da contaminação de colchões e almofadas, como um aspeto crítico na gestão de surtos1.

Tanto os colchões e almofadas convencionais como os de ar fluidizado podem constituir-se um reservatório ou fonte ambiental considerável para a infeção e para surtos de infeção/colonização por microrganismos epidemiologicamente significativos, incluindo os multirresistentes e os microrganismos “alerta/problema”. Estes DM podem ficar contaminados com fluidos corporais durante a prestação de cuidados ao doente, sobretudo se a integridade das coberturas/capas estiver comprometida3. As capas de colchão podem ser: resistente à água (mantém o líquido longe do material), impermeável (impede que o líquido entre no material) ou repelente à água (mantém o líquido afastado do material e impede líquido de entrar no material). A função da capa de colchão é fornecer proteção externa, impedindo a entrada de sangue e fluidos corporais para o interior do colchão (núcleo interno). As coberturas de colchão, apesar de resistentes à água (à prova de água) ou repelente de água, vão perdendo a sua eficácia ao longo do tempo.

A duração média de vida útil da capa de colchão (vida esperada) varia de fabricante para fabricante. Além disso, a vida esperada da cobertura de cama pode diferir da do próprio colchão. Por exemplo, um colchão de cama pode ter uma vida esperada mais longa do que a cobertura do colchão. Sempre que haja perfurações, microperfurações, rasgões ou fissuras nas coberturas dos colchões e nas almofadas, não há garantia de uma superfície impermeável para proteção destes dispositivos médicos. Por isso, as coberturas de colchão e de almofada devem ser imediatamente substituídas se apresentarem alterações da sua integridade. O colchão deve ser substituído se estiver visivelmente manchado. Os colchões húmidos, em particular, podem constituir-se uma substancial fonte ou reservatório ambiental de microrganismos. Foram descritas infeções e colonizações causadas por Acinetobacter spp., MRSA e Pseudomonas aeruginosa, especialmente entre doentes queimados. Nestes relatos, a remoção de colchões húmidos foi considerada uma medida eficaz de controlo de infeção.

As almofadas e suas coberturas devem ser de fácil limpeza, de preferência em ciclo de lavagem com água quente. Estas devem ser lavadas entre doentes ou se estiverem contaminadas com substâncias corporais. Os colchões de ar, utilizados especialmente em doentes imobilizados por longos períodos (ex: dor, úlcera de pressão, queimadura), constituem também um problema importante. Há relatos de que certos agentes patogénicos (ex:, Enterococcus spp., Serratia marcescens, Staphylococcus aureus e Streptococcus fecalis) têm sido implicados na contaminação cruzada de doentes. No entanto, a manutenção de rotina e os procedimentos de descontaminação entre doentes podem minimizar os riscos potenciais dos mesmos.

Autora: Maria Goreti Silva

(Direção-Geral da Saúde, Conselho Ciêntifico do PPCIRA)

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