Maia desenvolve programa de apoio a cuidadores informais

  • 22 novembro 2022, terça-feira
  • Gestão

A câmara da Maia está a desenvolver um “programa ambicioso” de apoio a cuidadores informais que pretende “contribuir para a melhoria” da sua qualidade de vida e garantir uma prestação de cuidados de “qualidade e humanizada” à pessoa cuidada.

Em declarações à agência Lusa, a vice-presidente daquela autarquia do distrito do Porto, Emília Santos, explicou que o programa Maia CUIDA+, que pretende abranger “a seu tempo” um universo de 200 cuidadores informais, inclui um banco de horas de substituição, apoio psicológico, nutricional e “ações de capacitação”.

O programa será vocacionado para quem cuida de crianças e adultos com deficiência, pessoas idosas ou com doenças mentais.

O Maia CUIDA+ será financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência em um milhão de euros, sendo que a autarquia vai investir mais 300 mil euros no projeto, que inclui a criação de uma linha verde e uma aplicação, a criação de uma equipa multidisciplinar de apoio e uma “extensa rede” de parcerias entre várias instituições do concelho.

“A partir do momento que começamos a ter a perceção da existência, no nosso território, de pessoas a cuidarem dos seus familiares sem qualquer tipo de apoio, decidimos que o município tinha de investir no desenvolvimento de uma resposta abrangente, sólida e sustentada, e começamos a trabalhar este programa”, explicou a autarca.

Segundo Emília Santos, o Maia CUIDA+, que a autarquia deseja que arranque em janeiro de 2023, “é um programa inovador e ambicioso”, que pretende “melhorar o acesso à saúde de cuidador e pessoa cuidada, perceber as condições e necessidades destas pessoas, retardar ou até mesmo evitar a institucionalização da pessoa cuidada e garantir uma prestação de cuidados de qualidade e humanizada”.

Um dos destaques daquele programa é a criação de um banco de horas de substituição: “Uma das novidades que diferencia este projeto é o banco de horas. Ou seja, cada cuidador poderá usufruir de quatro horas semanais, ou de um fim de semana, em que uma equipa especializada o vai substituir nos cuidados a prestar, de forma a que possa descansar, tratar de situações que o obriguem a ausentar-se, com a garantia de que o seu familiar será bem tratado”, explicou.

Para dar resposta ao projeto, a autarquia está a formar uma equipa multidisciplinar, constituída por um enfermeiro, um psicólogo, um nutricionista, um assistente social, voluntários do Compromissum – Centro de Voluntariado da Maia e auxiliares de ação direta.

“Esta equipa vai ajudar a traçar o perfil de necessidades em cada caso, vai capacitar o cuidador a prestar os cuidados necessários àquele seu familiar e vai acompanhar o cuidador mesmo depois num eventual processo de luto, que muitas vezes é esquecido”, referiu a responsável.

O acesso ao Maia CUIDA+ será gratuito e pode ser feito através da linha verde que está a ser criada, sendo que a autarquia “já está no terreno” a identificar possíveis destinatários.

“Estamos a envolver instituições que são fundamentais para o sucesso deste trabalho. Desde logo, o Agrupamento de Centros de Saúde Maia Valongo e o Centro Hospitalar e Universitário de São João, mas também as juntas de freguesia, que fazem um trabalho valiosíssimo de apoio à comunidade, várias instituições de caráter social que trabalham no nosso concelho e, não menos importante, a Associação Nacional de Cuidadores Informais”, apontou.

A autarquia quer ainda envolver uma instituição do ensino superior para “desenvolver investigação científica nesta matéria e para avaliar, monitorar e melhorar todo o processo”.

O estatuto do cuidador informal foi aprovado em setembro de 2019 e define como cuidador informal “toda a pessoa que assume como função a assistência a uma outra pessoa que, por razões tipologicamente diferenciadas, foi atingida por uma incapacidade, de grau variável, que não lhe permite cumprir, sem ajuda de outro(s), todos os atos necessários à sua existência, enquanto ser humano”.

Segundo dados de 2022 do Movimento Cuidar dos Cuidadores Informais, existem em Portugal 1,4 milhões de cuidadores informais.

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