Estudo identifica principais fatores preditivos do tempo de internamento nos Cuidados Continuados

  • 08 outubro 2021, sexta-feira
  • Gestão

Um grupo de investigadores da Universidade Nova de Lisboa e da Universidade de Lancaster (Reino Unido) realizou um estudo com o objetivo de identificar os principais preditores na admissão e estimar a duração de cuidados dos doentes na Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI).

No estudo “Identificação dos principais fatores preditivos do tempo de internamento nos Cuidados Continuados em Portugal” foram considerados duas tipologias de cuidados: Cuidados Domiciliários e três tipologias de internamento, nomeadamente Cuidados de Curta, Média e Longa duração.

O estudo, publicado na Portuguese Journal of Public Health, assenta numa base de dados de 20.984 indivíduos com admissão e alta durante o ano de 2015, na Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados.

Foram utilizados dois conjuntos de variáveis explicativas para modelar a variável aleatória ‘duração de cuidados dos doentes’, nomeadamente, características do doente – como a idade, género, o apoio familiar ou de vizinhos, os níveis de dependência na admissão para locomoção, o estado cognitivo e as atividades da vida diária – e fatores externos – como a entidade referenciadora, o número de camas ou locais de tratamento por mil habitantes com 65 ou mais anos, a maturidade e a taxa de ocupação da instituição, assim como a tipologia de cuidados.

Os investigadores concluíram que as características que mais influenciam a redução da ‘duração de cuidados dos doentes’ são o género masculino, ter apoio familiar ou de vizinhos, ser encaminhado por hospitais das Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas (pelos cuidados primários nas Unidades de Hospitalização Domiciliária), receber cuidados em unidades com menor taxa de ocupação e com menos meses de funcionamento.

O estudo concluiu ainda que, em relação aos níveis de dependência, à medida que aumenta o número de atividades diárias consideradas “dependentes,” aumenta igualmente a ‘duração de cuidados dos doentes’.

“Quanto ao estado cognitivo, apesar da tendência oposta, apenas se verificou estatisticamente significativo nas Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas. Além do mais, dois modelos adicionais foram realizados incluindo a ‘morte’, embora esse recurso não seja observável na admissão”, lê-se no estudo.

O estudo refere que as unidades de atendimento são pagas por dia por paciente, sendo por isso vital que os decisores políticos implementem um sistema de monitorização que avalie a relação entre a ‘duração de cuidados dos doentes’, os cuidados necessários dos pacientes na admissão e os resultados dos pacientes.

“Essa medida evitaria a despesa máxima devido a permanências prolongadas (possivelmente inadequadas), garantiria uma rotatividade mais rápida de camas e a redução do número de filas de espera, além de garantir que os pacientes fossem colocados na unidade mais adequada para as suas necessidades de cuidado”, referem os investigadores.

“Ao criar um modelo que permite estimar a ‘duração de cuidados dos doentes’ esperada para um novo indivíduo que entra no sistema da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados português, os decisores políticos serão capazes de estimar os custos futuros e otimizar recursos”, concluíram ainda os investigadores.

Newsletter Hotelaria & Saúde

Receba quinzenalmente, de forma gratuita, todas as novidades e eventos sobre gestão hoteleira em unidades de saúde e bem-estar.


Ao subscrever a newsletter noticiosa, está também a aceitar receber um máximo de 6 newsletters publicitárias por ano. Esta é a forma de financiarmos este serviço.