Criada Estratégia para as Demências

O Ministério da Saúde aprovou a Estratégia para as Demências 

Em Portugal, estima-se que haja cerca de 150 mil pessoas a sofrer de demência, sendo que a maioria tem mais de 65 anos. Com o envelhecimento populacional a intensificar-se, esta tendência vai agravar-se. Por estas razões, a tutela entende que o Estado deve adotar uma estratégia nesta área.

Esta estratégia define os princípios a que devem obedecer os cuidados a pessoas com demência, os critérios a utilizar na intervenção preventiva, as medidas a adotar relativamente à deteção precoce, as medidas de acesso ao diagnóstico médico bem como ao diagnóstico compreensivo, e o escalonamento das respostas terapêuticas nos três níveis de cuidados de saúde, clarificando-se um percurso de cuidados para as pessoas com demência.

O objetivo é promover maior colaboração e coordenação intersetorial, o diagnóstico atempado e correto e também o acesso a tratamentos farmacológicos e não farmacológicos, mediante o reforço do papel dos cuidados de saúde primários e da colaboração destes com os cuidados hospitalares, os cuidados continuados integrados e os cuidados paliativos, e a continuidade dos cuidados na comunidade e o apoio às famílias.

Um dos aspetos considerados prioritários, ao abrigo desta estratégia, é a criação de Planos Regionais da Saúde para as Demências, que se ajustem às especificidades de cada região e das respetivas redes.

O percurso de cuidados deverá iniciar-se no levantamento dos recursos de saúde e comunitários em cada área, incluindo as instituições públicas, do setor social e solidário, privadas e académicas. Terão também de ser definidos os responsáveis, procedimentos, normas de acesso e articulação, incluindo critérios de referenciação entre os cuidados de saúde primários e os hospitalares, bem como de informação para os cuidados primários (com discussão de um plano individual/integrado de cuidados) aquando de alta ou enquanto se mantiver o seguimento nas consultas hospitalares.

A identificação precoce do problema começa logo, segundo o que está consagrado na estratégia, na consciencialização das pessoas relativamente aos défices cognitivos e às demências em particular, de modo a que possam valorizar adequadamente alguns sinais de alerta.

O papel dos cuidados primários

Para um diagnóstico eficaz e integrado, importa desenvolver uma rede de profissionais de cuidados primários habilitados a fazer um primeiro diagnóstico (nomeadamente de natureza sindromática) e, se necessário, iniciarem a referenciação de casos que justifiquem observação em cuidados especializados (por exemplo, para diagnóstico diferencial dos subtipos de demência). isto implica criar as devidas condições nos ACeS, e melhorar a articulação com os cuidados hospitalares. Da intervenção conjunta destes dois níveis assistenciais (cuidados primários e hospitalares), deve resultar um diagnóstico integrado que inclua, conforme o mais adequado ou possível em cada situação, o tipo e etiologia da demência e o estadiamento funcional (funcionalidade, incapacidade e fatores contextuais).

Ao diagnóstico integrado deverá seguir-se um Plano Individual de Cuidados (PIC), que constitua o instrumento de continuidade de processo e cuidados, idealmente recorrendo a tecnologias de informação, integrando todos os cuidadores e acessível a todos os níveis de intervenção.

Em relação à intervenção terapêutica propriamente dita, recomenda-se que considere simultaneamente os sintomas cognitivos, os sintomas psicopatológicos e comportamentais e a manutenção da funcionalidade. O documento também considera o papel do cuidador informal, pugnando por intervenções de aconselhamento, psicoeducativas ou de suporte emocional, individual ou em grupo) ou dirigidas à família no seu conjunto.

A intervenção deve considerar o domicílio da pessoa com demência e a respetiva família como o contexto privilegiado de cuidados, no pressuposto de que as necessidades estejam cobertas. Quando a intervenção tenha de ocorrer em contexto institucional diferenciado, seja hospitalar ou da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados, deve observar-se as necessidades de formação das equipas, para a prestação de cuidados a pessoas com diferentes formas de demência. O diploma prevê ainda a possibilidade de os cuidados decorrerem em instituições especializadas para o efeito.

Para José Carreira, presidente da Alzheimer Portugal, “ainda falta a articulação desta estratégia com o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, de modo a que se criem os apoios necessários à melhoria das condições de vida das pessoas com demência, bem como dos seus cuidadores”.

A Alzheimer Portugal foi um parceiro ativo na conceção dos documentos que deram origem ao despacho publicado ontem em Diário da República, e estará representada na Coordenação do Plano Nacional da Saúde para as Demências por Catarina Alvarez e Maria do Rosário Zincke dos Reis. Este grupo de trabalho será responsável pelo acompanhamento da elaboração de Planos Regionais para as Demências, que ficará a cargo das Administrações Regionais de Saúde, que no espaço de um ano terão de desenvolver medidas adaptadas às especificidades da região em que atuam, e articuladas com o Plano Nacional de Saúde e o Plano Nacional de Saúde Mental.

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