Entrevista a Paulo Sousa

  • 25 janeiro 2021, segunda-feira
  • Gestão

"Valerá a pena levar por diante o que a atual legislação já apontava, definindo parâmetros de desempenho a todos os processos de tratamento de resíduos”. O Presidente do Conselho de Administração do Serviço de Utilização Comum dos Hospitais (SUCH) fala das novas exigências trazidas pela pandemia e da forma como impactaram as prestações hoteleiras. Paulo Sousa aponta ainda a necessidade de redefinir a distribuição de competências em matéria de resíduos hospitalares.

Entrevista por Cátia Vilaça

Paulo Sousa é licenciado em Direito e tem um Curso Avançado em Gestão Hospitalar, além de Cursos de Formação de Economia e Gestão, em especial da Área Hospitalar. No SUCH, foi Vice-presidente do Conselho de Administração (2010-2013), Presidente da empresa EAS e Vogal do Conselho de Administração do Such/Veolia ACE. Ocupou o cargo de Presidente do Conselho de Administração da Valorhospital S.A., o cargo de Presidente do Conselho de Administração do Somos Ambiente ACE (2010-2014) e o cargo Vogal Não Executivo deste ACE (2008-2010), acumulando com as funções de Administrador Delegado Norte e Diretor do Cluster do Ambiente (desde 2006). Preside ao Conselho de Administração desde 2013.

De que forma a covid-19 tem impactado os procedimentos nas prestações hoteleiras, particularmente os associados à higiene e limpeza e ao tratamento da roupa?

No que se refere à higiene e limpeza, as exigências cresceram muitíssimo, e refletidas no aumento da frequência dos programas de higiene e limpeza, nos produtos usados e suas características, nos equipamentos de proteção individual até aqui quase dispensáveis, e em especial na quantidade e qualidade de recursos humanos a afetar a estas prestações. Estas exigências ao nível do tratamento da roupa são idênticas e reforçadas nas instalações das lavandarias e em toda a frota de recolha e entrega, que em sentido contrário vê reduzido o quantitativo normal de roupa a tratar, motivado pela diminuição do trabalho de rotina das instituições hospitalares e um uso quase exclusivo de roupa descartável no atendimento Covid.

Uma circunstância excecional e não prevista na generalidade dos protocolos e contratos entre cliente e prestador que obrigam a um esforço e um reequilíbrio que tem de ser encarado de forma bilateral.

Do ponto de vista da gestão dos recursos humanos, financeiros e materiais, como tem sido o impacto? Houve algum reforço de meios? Houve também reforço do ponto de vista da formação profissional?

O aumento de exigência já referido obrigou a sobrecustos, que terão de ser reequilibrados, em especial com tempo e prazo mas também com aumentos de preço. Como todas as crises, esta tem de se vencer, e o tempo tem de a pagar.

No que se refere à formação profissional, esta teve de reforçar a ação. Numa primeira fase com o conhecimento disponível, que era pouco, e com um excesso de meios e cautelas, e hoje mais assertiva, pois a experiência e o conhecimento do vírus assim já o permite.

Ao nível da articulação com os hospitais, das rotinas, da frequência dos serviços, a pandemia forçou a alteração de procedimentos?

De acordo com o referido, nada ficou como estava. O reforço de frequência dos serviços, os materiais utilizados e a proteção individual generalizada cresceu como nunca visto.

A Diretiva Resíduos está em processo de alteração, e a recolha seletiva de Biorresíduos, o que também se aplica aos biorresíduos não contaminados dos hospitais. Como é que o SUCH está a preparar esta alteração? Os cuidados acrescidos decorrentes do controlo da pandemia permitem implementar este tratamento diferenciado ou todos os resíduos têm de ser encarados como potencialmente contaminados?

Era comum e frequente o SUCH, como operador tradicional e pioneiro na recolha, encaminhamento e tratamento de resíduos hospitalares ser ouvido nestas matérias, mas hoje tal não está a acontecer.

A DGS pronunciou-se sobre este tema no início da pandemia e julgo que a esse nível nada se alterou profundamente que exija intervenção.

Considera a atual legislação de tratamento de resíduos hospitalares adequada do ponto de vista da eficácia dos procedimentos de tratamento ou valeria a pena rever alguns parâmetros?

Valerá a pena levar por diante o que a atual legislação já apontava, definindo parâmetros de desempenho a todos os processos de tratamento de resíduos, assim como já existem para o processo de eliminação.

Valerá ainda a pena repensar a distribuição de competências atuais, que quase retirou deste processo quem mais dele sabe e quem mais dele tem de saber – a DGS. De facto, o que se ganhou com a concentração na APA de uma lista de atribuições referentes a Resíduos Hospitalares, com exigências específicas e diferenciadas das restantes fileiras de resíduos? A avaliação que fazemos é que ficamos no mesmo ponto onde estávamos e nada evoluímos como se previa e exigia.

Quais as vantagens do sistema de rastreamento têxtil em implementação no CHUSJ? Para além da gestão, poderá ser uma ferramenta de combate à contaminação cruzada através do fardamento?

Este processo está infelizmente, e apenas por razões processuais, em fase de arranque, mas consideramos que a informação que irá propiciar é útil para a gestão e também para o controlo do risco associado a estas tarefas. A identificação fiável da utilização dada aos fardamentos permite afetar a estes tratamentos adequados e específicos mais ou menos exigentes consoante a origem.

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