Criação de código de barras único em debate

  • 13 outubro 2022, quinta-feira
  • Gestão

A GS1 Portugal, entidade responsável pelo desenvolvimento de standards para a saúde, promoveu a 35.ª edição do Healthcare User Group (HUG), reunindo um grupo restrito de profissionais e decisores da área da saúde para debater desafios e oportunidades de crescimento do setor, em particular a possibilidade de adoção de um código de barras único.

Foi sobre essa possibilidade que incidiram as participações dos oradores internacionais convidados, Georges Nicolaos, Gregory Goger e Gordana Živcec.

Sobre este tema, o diretor do Serviço Farmacêutico do Hospital da Fundação Adolphe de Rothschild, Georges Nicolaos, envolvido na implementação dos standards da GS1 há mais de 15 anos, referiu que “o paciente, quando entra num hospital, está com elevados níveis de stress e, por isso, torna-se vital demonstrar que a segurança é uma prioridade e que o tratamento vai ser o mais adequado”.

Nesse contexto, acrescentou que os standards da GS1, por permitirem um acesso rápido à informação dos produtos em qualquer momento do tratamento, reforçam a confiança do paciente nos profissionais de saúde e na eficiência do tratamento.

A título de exemplo, Georges Nicolaos apresentou algumas evidências de um estudo que liderou relativo à codificação de instrumentos cirúrgicos no Hospital Ballanger, em França, há 13 anos. Segundo contou, este estudo permitiu constatar que uma só embalagem de produtos pode conter vários códigos DataMatrix e até sete códigos de barras, dificultando a rastreabilidade. Neste estudo, concluiu a necessidade de encontrar uma nova solução de codificação que consubstancie um código único, capaz de concentrar toda a informação necessária sobre um produto ou embalagem de produtos.

O responsável global de Rastreabilidade da farmacêutica Abbvie, Gregory Goger, defendeu a conceção de novas ferramentas e soluções que facilitem o acesso dos doentes e consumidores à informação contida em códigos de barras e bidimensionais de medicamentos e dispositivos médicos.

O representante da Abbvie começou por reconhecer que o recurso a codificação é fundamental na comunicação, rastreabilidade e transparência ao longo de toda a cadeia de valor, entre quem produz e quem administra medicamentos e dispositivos médicos.

No entanto, salientou ser fundamental ampliar o âmbito da codificação em saúde, deixando de ser o utilizador final o profissional de saúde, democratizando o acesso a essa informação, e tornando-a acessível para o paciente, de forma simples e clara.

Gregory Goger acrescentou ainda que “é necessária a existência de ferramentas que facilitem o acesso à informação sobre os medicamentos e dispositivos médicos, visto que o panfleto que os acompanha, a bula, é algo difícil de ler e não é intuitivo para o paciente”.

Em jeito de conclusão, afirmou que os produtos de saúde carecem de espaço para informação útil e, assim, é necessário criar soluções assentes na colaboração entre as várias entidades do setor da saúde.

Por fim, a CEO da Medico Veritas, Gordana Živcec, complementou os testemunhos anteriores apresentando o exemplo do setor automóvel enquanto caso de sucesso setorial de codificação única de múltiplos subprodutos e processos para ilustrar o modelo que propõe de digitalização do setor da saúde.

De acordo com a representante da Medico Veritas, a saúde deveria desenvolver uma solução de codificação para medicamentos e dispositivos médicos que permitisse uma interação semelhante à que a indústria automóvel encontrou para agregar informação de codificação de componentes e processos envolvidos no produto final.

Consciente da dificuldade em reunir informação quando se envolvem vários produtos e prestadores de serviços, como no caso de um ato médico ou processo de tratamento, Gordana Živcec referiu, no entanto, que “não é possível digitalizar o setor sem haver standards que confirmem que o paciente está a receber o tratamento mais adequado às suas necessidades”.

A representante da Medico Veritas sublinhou que, por um lado, isso passa pelo desenvolvimento de uma codificação que permita a identificação de todos os produtos e processos aplicados no tratamento de um paciente e, por outro lado, pela uniformização da informação de todos os prestadores de cuidados e produtos envolvidos. “A segurança dos pacientes começa com uma identificação única e adequada”, concluiu Gordana Živcec.

Esta edição do HUG contou também com a gestora de Saúde e Standards da GS1 Portugal, Madalena Centeno, que iniciou a sua partilha com as atualizações relativas ao Regulamento dos Dispositivos Médicos de Diagnóstico in vitro.

Madalena Centeno destacou o desenvolvimento de um código de identificação adicional (Master UDI-DI Solution) para dispositivos médicos que requerem elevados níveis de codificação, como é o caso das lentes de contacto.

Este código, reforçou, vem complementar o uso do UDI – Identificar Único do Dispositivo –, sendo quatro as entidades detentoras de autorização que, em parceria com a CE e a Indústria (MedTech Europe), estão a delinear a estrutura deste novo código.

A gestora de Saúde e Standards da GS1 Portugal fez menção à mais recente alteração no GS1 General Specifications – documento no qual estão contemplados todos os standards GS1 –, relativa à data de validade dos produtos de saúde: a partir de 2025 deixa de ser permitido utilizar a referência “00” como dia na data de validade dos produtos, passando a ser obrigatório incluir um dia em específico, conforme seja aplicável ao produto.

O diretor de Serviços Digitais da GS1 Portugal Nuno Azevedo, que interveio de seguida, falou sobre a capacitação da plataforma digital de partilha e sincronização de dados de produto da GS1 Portugal, a Sync PT, para a integração de informação das categorias de medicamentos, cosmética, saúde e bem-estar, sublinhando também a disponibilidade da plataforma para participar em testes-piloto de unidades hospitalares, farmácias e empresas da indústria farmacêutica.

“A plataforma tem vindo a contribuir para a digitalização de vários setores e cada vez mais dá resposta a mais dinâmicas de negócio”, realçou Nuno Azevedo. Tendo presente o objetivo de agilização da colaboração entre parceiros, Nuno Azevedo lançou a hospitais, farmácias e laboratórios o desafio de realização de testes-piloto que comprovem a eficiência deste processo.

O evento foi concluído por Sofia Perdigão, Healthcare Manager da GS1 Portugal, que realçou os casos de estudo conduzidos pela GS1 ao nível da rastreabilidade e eficiência logística, nomeadamente o projeto de Fiabilidade de Leitura em armazém, implementado em parceria com a MC-Wells e a DHL, bem como o projeto de rastreabilidade das vacinas COVID-19, projeto levado a cabo pela GS1 Irlanda, recentemente publicado pela Organização Mundial de Saúde.

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