Inquérito da SPMI releva caos nos Serviços de Medicina Interna em Portugal

  • 15 abril 2019, segunda-feira
  • Gestão

Segundo inquérito realizado pela Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI) em 18 de fevereiro deste ano, a capacidade de resposta dos hospitais portugueses nos respetivos serviços de Medicina Interna é classificada como “caótica”.

Com o objetivo de conhecer em concreto o número de camas extra e de doentes com internamento concluído que cada serviço tinha à sua responsabilidade nesse dia, o inquérito da SPMI contou com respostas de 78 Serviços de Medicina Interna de todo o País, de um total de 103, o que correspondeu a 76% de respostas.

Todos os serviços tinham taxas de ocupação de 100%, da sua lotação base de 4.866 camas. Verificou-se também que estes serviços tinham à sua responsabilidade mais 2.142 camas extra (um aumento de 44%), distribuídas da seguinte forma: 1.140 doentes internados noutros serviços do hospital, 841 doentes internados no Serviço de Urgência e 161 doentes nos Serviços de Medicina Interna, acrescidos à sua lotação.

Sobre estes resultados, João Araújo Correia, presidente da SPMI, destaca que «esta é a primeira vez que podemos contabilizar este enorme acréscimo de trabalho a que os Internistas são submetidos num período nunca inferior a 3 meses (mais de 44%), que tem de ser contabilizado como produção adicional. Também é muito revelador o grande número de doentes internados nos Serviços de Urgência (841), que tem sido o grande fator de demissão de muitos chefes de equipa de urgência por todo o País, muitas vezes confrontados com passagens de turno com mais de 100 doentes».

Nesse sentido, o presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna salienta que «não é possível continuar a esconder este problema sério, todos os anos repetido. Tem de haver um plano de resposta em cada hospital! Mas embora possa e devam ser dadas respostas locais, são imprescindíveis diretivas nacionais que garantam a equidade entre os hospitais, com qualidade e segurança no tratamento dos doentes».

A Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI) foi fundada em 1951 com a finalidade de promover o desenvolvimento da Medicina Interna ao serviço da saúde da população portuguesa. Promove ainda a investigação e o estudo de problemas científicos, bem como a organização de atividades educacionais no âmbito da formação contínua, dirigidas aos médicos e à população em geral, no campo da Medicina Interna.

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