Boas Práticas de Higienização Hospitalar: o caso prático do Hospital Lusíadas Lisboa

A implementação de boas práticas de higienização hospitalar é crucial para promover cuidados de saúde com qualidade e segurança. Permite reduzir a carga microbiana das superfícies, prevenindo a transmissão cruzada de microrganismos e as infeções associadas aos cuidados de saúde (IACS).

Sobre as IACS

As IACS, pela dimensão epidemiológica e pelo impacto clínico, económico e social que acarretam, são consideradas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) um problema de saúde pública global. Apesar de não existirem dados recentes, em 2012 o primeiro estudo de base populacional nos EUA apontava para 1,7 milhões de IACS nos hospitais; o European Center of Disease Prevention Control (ECDC) estimava a prevalência das IACS na Europa em 5,7%, enquanto que Portugal apresentava o dobro da média europeia (10,7%)1. Mais recentemente, em 2014, a Fundação Calouste Gulbenkian2 apresenta um valor quantificável para custos associados à saúde em Portugal de 280 milhões/ano.

Com base nestas evidências, várias organizações, como a OMS, a Center for Disease Control and Prevention, a ECDC, identificam a higienização hospitalar como um dos critérios fundamentais para reduzir as IACS.

A Direção-Geral de Saúde (DGS), em 2013, emite a Norma nº 029/2012 (atualizada a 31/10/2013), referente às Precauções Básicas do Controlo de Infeção (PBCI), de caráter vinculativo, em que preconiza o Controlo Ambiental, como uma das 10 PBCI que os dirigentes das unidades de saúde têm de implementar e monitorizar como meio de reduzir as IACS.

A acreditação pela JCI no âmbito da Prevenção e Controlo de Infeções

A Joint Commission International (JCI)3, organismo pelo qual os três maiores hospitais da Lusíadas Saúde (Hospital Lusíadas Lisboa, Hospital Lusíadas Porto e Hospital José de Almeida – PPP de Cascais) se encontram Acreditados, destaca, no capítulo da Prevenção e Controlo de Infeções, vários requisitos em que impõe a obrigatoriedade de padronização e estabelecimento de metodologias, no que respeita à higienização hospitalar, que visam a prestação de cuidados de saúde com Qualidade quer para o cliente quer para os profissionais.

A Lusíadas Saúde, estando ciente desta problemática, sendo um grupo de saúde com três hospitais acreditados pela JCI, e querendo prestar aos seus clientes os melhores e mais seguros cuidados de saúde, estabeleceu um Manual de Higienização Hospitalar e um conjunto de normas de funcionamento abrangentes a toda a unidade hospitalar, cumpridos não só pelos profissionais dos nossos hospitais mas que se aplicam também à empresa subcontratada de limpeza hospitalar.

O Sistema de Limpeza no Hospital Lusíadas Lisboa

No HLL temos implementado um serviço de limpeza integrado por assistentes operacionais do hospital e por colaboradores da empresa de limpeza subcontratada.

Critérios

Os critérios de higienização diferem consoante a classificação das áreas de risco de contaminação associado (não crítico, semicrítico e crítico) e, dependendo do operacional que a executa, assim é a técnica, os produtos e os materiais usados. 

Na higienização hospitalar realizada pela empresa subcontratada, é utilizado o sistema Vileda Swep. Este sistema apresenta diversos aspetos positivos, que reduzem a possibilidade de más práticas de higienização e, como tal, impelem à redução de transmissão cruzada e subsequente infeção hospitalar, nomeadamente:

  • Os têxteis são higienizados após a sua utilização, ficando limpos e desinfetados para a utilização seguinte;
  • Os têxteis são preparados de forma correta antes do início da atividade de limpeza, ou seja, todos os têxteis são pré-impregnados recorrendo a um equipamento de doseamento automático que permite, com precisão, uma impregnação adequada e distinta para os panos e para as mopas, evitando erros de dosagens e perdas de tempo no que respeita ao tempo de secagem de superfícies e pavimento;
  • Utilização de códigos de cores, com panos de microfibra, que permitem a correta utilização dos panos para a higienização de locais específicos;
  • A aplicação do conceito 1 pano=1 uso=1 zona;
  • Todo um conjunto de material que acompanha a colaboradora no carro de apoio e que lhe permite realizar o procedimento, desde uma limpeza corrente a uma limpeza imediata, de forma célere e com o equipamento adequado.

Formação

Para além da parte técnica e material utilizado, todas as colaboradoras da empresa subcontratada, aquando da admissão, realizam formação pela equipa de formadores da Vileda Professional, em sala e on-job. Para além da formação disponibilizada pela empresa de limpeza, o HLL disponibiliza também um conjunto de formações adaptadas às particularidades do Hospital, nomeadamente participação na formação realizada pelo HLL relativamente à higiene das mãos, triagem de resíduos, contenção e higienização de derrames, etc.

Monitorização

Este processo de higienização hospitalar realizado pela empresa subcontratada é monitorizado pela Comissão do Programa de Prevenção e Controlo de Infeções e de Resistência aos Antimicrobianos (CPPCIRA), através de auditorias internas, do preenchimento por parte das colaboradoras da empresa de um plano de trabalhos definido de acordo com as necessidades específicas de cada serviço (que é sempre validado pelo responsável do próprio serviço), e por avaliações trimestrais realizadas pelos serviços da unidade hospitalar.

Manual de higienização

Na higienização hospitalar executada pelos assistentes operacionais do hospital, foi definido e instituído um sistema de limpeza que, apesar de ter sempre o mesmo propósito, proceder à remoção de microrganismos e reduzir a transmissão cruzada, difere nos materiais e produtos utilizados.

Deste modo, foi definido o manual de higienização do HLL, onde consta toda a informação relativa à classificação das áreas de limpeza, os métodos de limpeza, os materiais, os produtos (detergentes e desinfetantes) instituídos para a sua realização, bem como a técnica, a frequência e periodicidade da mesma. Este documento é transversal a todos os serviços do hospital.

Para além do manual de higienização, está definido um conjunto de procedimentos de higienização para locais ou situações específicas e com maior criticidade, nomeadamente, salas de bloco operatório, unidades de cuidados intensivos, higienização em situação de derrame, entre outros.

Escolha dos produtos

Os produtos usados no HLL foram escolhidos pela CPPCIRA e pelos Serviços Farmacêuticos. O detergente utilizado é um detergente neutro compatível com todas as superfícies. Relativamente ao desinfetante, pode ser utilizado de diversas aplicações:

  • Reconstituído e utilizado em spray, destinado à desinfeção e limpeza de todas as superfícies laváveis, em grandes áreas a higienizar, como por exemplo higienização das unidades de internamento do cliente;
  • Impregnado em toalhetes de uso descartável em balde, que são utilizados para a higienização de áreas que necessitam de limpezas repetidas, dado que a utilização assegura um elevado nível de higienização num período reduzido de tempo, por já se encontrarem preparados a utilizar, como por exemplo, gabinetes de consulta;
  • Toalhetes desinfetantes, em pacote, sem aldeídos e sem álcool para uma limpeza e desinfeção de dispositivos médicos tais como sondas para ecografias vaginais e abdominais.

No que respeita aos materiais no HLL, as assistentes operacionais utilizam panos de TNT (tecido não tecido) descartáveis, reduzindo a possibilidade de contaminação cruzada. Estes toalhetes são utilizados para a higienização com o detergente e/ou o desinfetante em spray.

Para a higienização do pavimento, tetos e paredes são utilizadas mopas de microfibra Vileda Swep com prata incorporada. Utilizamos igualmente os acessórios necessários para a realização da limpeza da Vileda.

A Vileda Professional, desde a abertura do Hospital Lusíadas Lisboa, tem vindo a ser um parceiro relevante no processo da higienização hospitalar, colaborando com a CPCIRA na formação relativa à correta utilização dos materiais e equipamentos usados na instituição.

Impacto da Limpeza na Satisfação do Cliente

A Lusíadas Saúde coloca o cliente no centro da sua prestação de cuidados, pelo que uma adequada limpeza e desinfeção das instalações são medidas primordiais para prevenir e reduzir as infeções cruzadas em clientes e profissionais. A constatação, por parte dos clientes, de um hospital “limpo” tem um impacto positivo na imagem da instituição e na confiança dos serviços prestados.

A implementação de boas práticas de higienização hospitalar é fundamental para a Qualidade e segurança dos cuidados prestados. Só deste modo conseguimos seguir o nosso lema “Sabemos Cuidar”.

[1] European Centre for Disease Prevention and Control. Antimicrobial Resistance surveillance in Europe 2012. Annual Report of the European Antimicrobial Resistance Surveillance Network (EARS-Net). ECDC, 2013, ISBN 978-92-9193-511-6.
[2] Crisp, Lord Nigel; Berwick, Donald et al, Um futuro para a saúde – Todos temos um papel a desempenhar, Fundação Calouste Gulbenkian, 2014, ISBN 978-989-8380-18-0.
[3] Padrões de acreditação da Joint Commission International para Hospitais, 5ª edição, 2014, ISBN 978-1-59940-829-3.

Ana Gonzalez Pereira

Enfermeira

Se quiser colocar alguma questão, envie-me um email para ana.gonzalez.pereira@lusiadas.pt

Newsletter Hotelaria & Saúde

Receba gratuitamente no seu email todas as novidades e eventos sobre gestão hoteleira em unidades de saúde e bem-estar.