Bactérias Gram-negativas: um desafio com várias frentes
O número de pessoas que diariamente circula num hospital aumenta o risco de transmissão de bactérias. O agente patogénico Staphylococcus aureus Resistente à Meticilina (MRSA) pode ser transmitido entre humanos, de animais para humanos ou através de equipamento contaminado. Quando a bactéria entra no organismo, através de feridas, pode levar a sépsis, pneumonia ou infeções do tracto urinário. O combate é um problema, já que o MRSA é resistente a 20 por cento dos antibióticos.
Higiene das mãos é prioridade máxima
Em declarações à medica-tradefair.com, Martin Exner, Presidente da Sociedade Alemã de Higiene Hospitalar, assume como prioridade máxima na higiene hospitalar e nos consultórios médicos a higiene das mãos.
No entanto, há diversos agentes patogénicos que não são transmitidos através das mãos. Há diferentes requisitos de higiene para diferentes tipos de intervenção, como infeções do tracto urinário ou prevenção de infeções através de feridas. Medidas adicionais como o uso de uniformes de mangas curtas ou de superfícies de cobre estão atualmente em discussão. Estas medidas contribuem para a higiene hospitalar mas não substituem a desinfeção dos equipamentos e das mãos.
Fabricantes também têm um papel
Os fabricantes também podem ajudar na prevenção de infeções, como as causadas por Legionella e Pseudomonas, por exemplo. Muitos hospitais recorrem, por exemplo, ao uso de filtros que são colocados nas torneiras ou em substituição do telefone do chuveiro, prevenindo a libertação das partículas causadoras de infeção.
Martin Exner sugere, ainda, medidas estruturais no combate às bactérias resistentes aos antibióticos, como o aumento do número de quartos para um ou dois pacientes com casas de banho e chuveiros integrados. Deste modo, os pacientes beneficiam de mais espaço, o que ajuda a prevenir a disseminação das bactérias. Exner considera ainda que deve ser dada formação aos pacientes sobre medidas de higiene pessoal.
Em Portugal
A Direção-Geral de Saúde emitiu uma norma em 2014, atualizada em 2015, sobre Prevenção e Controlo de Colonização e Infeção por Staphylococcus aureus Resistente à Meticilina (MRSA) nos Hospitais e Unidades de Internamento de Cuidados Continuados Integrados, que prevê medidas de higiene a aplicar a doentes que vão ser submetidos a cirurgias eletivas, e que incluem dois banhos prévios à intervenção cirúrgica, com gluconato de clorohexidina = a 2%, um na véspera da cirurgia e outro no próprio dia. Está também previsto o rastreio o rastreio de portadores de MRSA e procedimentos a aplicar na prestação de cuidados a doentes infetados ou colonizados por MRSA ou suspeitos de ter infeção ou colonização por este agente. A norma está disponível para consulta no site da DGS: https://www.dgs.pt/directrizes-da-dgs/normas-e-circulares-normativas/norma-n-0182014-de-09122014.aspx
Imagem: Tatiana Shepeleva / Shutterstock
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