Adaptação dos Conceitos Gerais da Hotelaria às Necessidades Específicas da Saúde

A breve abordagem ao setor hoteleiro é o mote inicial para a posterior análise da hotelaria hospitalar e da forma como as duas áreas se relacionam. De facto, embora a hotelaria hospitalar tenha especificidades próprias, dada a natureza dos serviços que presta e o seu público-alvo, esta deverá adaptar princípios transversais da hotelaria, de forma a garantir a qualidade do serviço prestado.

Hospitalidade, Funções e Serviços de Suporte

Se a regra é regressarmos a casa no final do dia, a exceção será, por diferentes motivos (trabalho, lazer, eventos, entre outros), passar a noite fora de casa, em locais concebidos para satisfazer as nossas necessidades: hotéis. Além da componente de alojamento e F&B (food and beverage, alimentação e bebidas), as infraestruturas hoteleiras disponibilizam outras facilidades para a realização de reuniões ou conferências, recreio e entretenimento.

Na segunda metade do século XX, o turismo criou uma dinâmica sem precedentes, decorrente do desenvolvimento dos meios de transporte, das redes viárias, do gozo de férias, do aumento do nível de vida e das atividades de lazer, o que permitiu um aumento do número de turistas de cerca de 5000%, de apenas 25 milhões em 1950 para 1.2 mil milhões em 2016. Mais do que um hábito, viajar, conhecer novas culturas ou relaxar passaram a ser uma necessidade.

O setor hoteleiro possui um conjunto de características muito específicas que moldam a sua atividade: a) Variedade e rapidez dos serviços devido à heterogeneidade dos clientes; b) Baixo valor por transação; c) Prestação de serviços de primeira necessidade; d) Baixa formação média dos empregados; e) Capital intensivo; f) Elevada competitividade; g) Mão-de-obra intensiva; h) Sazonalidade; i) Volatilidade da procura; j) Elevados custos fixos; k) Perecibilidade de produtos; l) Impossibilidade de produzir para stock (um quarto não vendido, jamais será recuperado); m) Elasticidade dualista (oferta rígida/procura volátil); n) Dependência de grandes operadores; o) Atividade em expansão e p) Boa margem de remuneração dos capitais investidos.

Filipe Ambrósio - PhD; Docente da ESTGL do Instituto Politécnico de Viseu.

Artigo publicado na edição nº13 da HS

Foto: Hospital de Cascais

 

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