Apenas 27,8 por cento dos portugueses aderem à dieta mediterrânica

Segundo o Inquérito Alimentar Nacional e de Atividade Física, realizado entre 2015 e 2016 por um consórcio liderado pela Universidade do Porto, com o apoio institucional da Direção-Geral da Saúde, da Administração Central do Sistema de Saúde, das Administrações Regionais de Saúde, das Secretarias Regionais de Saúde dos Açores e da Madeira e da Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos, só 27, 8 por cento dos portugueses aderem aos padrões da dieta mediterrânica. A maioria das pessoas que o faz é idosa (43,7 por cento), é só uma pequena parte adolescente (8,6 por cento).

O inquérito também permitiu perceber que, durante o período de 12 meses em estudo, 26,6 por cento da população recorreu a suplementos nutricionais. Os micronutrientes mais usados são o cálcio, pelos idosos, e a vitamina D, pelas crianças.

Nem toda a população consome almoço e jantar diariamente. Foi identificado um padrão de refeições intermédias, sendo a mais comum a do meio da manhã, embora nas crianças seja mais frequente fazer uma refeição a meio da tarde.

Poucos vegetais e excesso de carne

Outra das conclusões do inquérito é que mais de metade da população não segue a orientação da Organização Mundial de Saúde de consumir mais de 400 gramas diários de fruta e vegetais. A inadequação deste hábito de consumo é particularmente premente nos adolescentes e nas crianças, de entre os quais 68,9 por cento e 65,9 por cento, respetivamente, não seguem as recomendações.

2,6 por cento da população consome mais de 50 gramas de carne processada por dia, enquanto 34 por cento consome mais de 100 gramas por dia. Tendo em conta as proporções recomendadas na Roda dos Alimentos, os portugueses estão a consumir mais 10 por cento de carne, peixe e ovos e mais 2 por cento de produtos lácteos, mas menos 6 por cento de fruta, menos 12 por cento de vegetais e igualmente menos 12 por cento de cereais. O consumo médio de bebidas alcoólicas é de 146 gramas por dia, com uma grande diferença entre os homens (187 gramas) e as mulheres (27 gramas).

No capítulo da atividade física, o inquérito revela que apenas 36 por cento dos jovens (entre os 15 e os 21 anos), 27 por cento dos adultos e 22 por cento dos idosos (65 a 84 anos) são fisicamente ativos. No grupo etário entre os 15 e os 21 anos, a percentagem de homens fisicamente ativos (49 por cento) é bastante superior à de mulheres (20 por cento).

Melhorar as políticas de promoção de estilos de vida saudáveis

A nível alimentar, este tipo de informação não era atualizada desde 1980. Para os autores do inquérito, esta ferramenta constitui-se como ponto de partida para definir prioridades de ação e intervenções baseadas na evidência a nível nacional.

Os resultados do inquérito podem assistir medidas de intervenção a nível alimentar e nutricional, além de poderem servir de base para avaliar medidas já implementadas, como é o caso da recente taxação de refrigerantes com elevado teor de açúcar.

O inquérito permite também determinar os níveis de exposição a agentes com impacto potencial na saúde, como é o caso dos aditivos, dos compostos que resultam do processamento alimentar, dos resíduos de pesticidas e drogas de uso veterinário e dos contaminantes alimentares.

Um dos objetivos deste trabalho é também a possibilidade de os resultados gerados virem a ser incluídos num futuro Sistema de Vigilância Alimentar, Nutricional e de Atividade Física em Portugal. Uma ferramenta deste tipo permitiria, por sua vez, fornecer informação sistemática e atualizada sobre as condições nutricionais e de atividade física de uma dada população e dos fatores que influenciam essas condições. Os autores do estudo sugerem, inclusivamente, um possível mapeamento para um sistema de vigilância deste tipo, que seria apoiado por fontes de informação como inquéritos nacionais de âmbito alargado, inquéritos de pequena escala a grupos populacionais específicos, estudos de investigação, pesquisas de mercado, estatísticas de saúde e inquéritos aos orçamentos familiares, entre outras.

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